Exemplos de Empreendedorismo Social no Brasil

Postado setembro 20, 2017

Quem disse que a busca por lucros em uma empresa impede que o bem-estar da sociedade também seja um objetivo de negócios? No caso do empreendedorismo social, as empresas se preocupam com o coletivo. A ContaAzul selecionou bons exemplos desse tipo de iniciativa. Confira.

O que é empreendedorismo social?

A razão de existir de uma empresa tem a ver com sua proposta de valor, relacionada aos produtos ou serviços que ela oferece. No empreendedorismo social, o modelo de atuação é o mesmo, mas o foco do negócio das empresas tem a ver com a solução de algum problema social.

Que tipo de problema social? Alguma situação que acontece com frequência em uma ou mais comunidades, que afeta várias pessoas ou que está muito longe do ideal. Essa situação pode estar relacionada com educação, saúde, distribuição de renda, direitos humanos, moradia e meio ambiente.

O analfabetismo é um exemplo de problema social, assim como o desemprego, a falta de atendimento médico, a prostituição infantil e a violência. Uma empresa social, portanto, tem no seu modelo de negócio uma solução que visa a atacar um problema desse tipo.

E o lucro?

Ao contrário de uma organização não governamental (ONG) ou de uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), os negócios representantes do empreendedorismo social buscam o lucro. É uma forma de se autossustentar a partir da comercialização do seu produto ou serviço em primeiro lugar, e não ter como fonte de renda doações e patrocínios.

Há quem chame esse tipo de empresa de “setor dois e meio”, uma referência àquela divisão de organizações que considera o Estado como o “primeiro setor”, as empresas como o “segundo setor” e as instituições sem fins lucrativos como “terceiro setor”.

Os empreendimentos sociais estão entre o segundo e o terceiro setores: buscam o lucro, mas, ao mesmo tempo, o bem-estar social.

Empreendedorismo social pode ter outros nomes. As fundações Ashoka e Schwab, que estão entre as principais organizações do mundo que trabalham promovendo essa modalidade de negócios, não fazem distinção entre negócios lucrativos ou não, e colocam tudo sob o mesmo guarda-chuva.

Mas vamos logo aos exemplos para provar como é possível ganhar dinheiro e ajudar as pessoas.

Terra Nova

Um problema social comum no Brasil: ocupações irregulares de terrenos em grandes cidades. A Terra Nova é uma empresa que atua na mediação de conflitos no que eles chamam de regularização fundiária sustentável.

Na prática, desde 2001, a empresa atua junto a famílias carentes no acesso ao título de propriedade dos locais onde se estabeleceram. Com isso, há uma boa perspectiva de melhoria na qualidade de vida de assentamentos precários (como favelas, cortiços etc.), afinal eles passam a existir regularmente aos olhos do governo, aumentando as chances de receberem investimentos de infraestrutura, por exemplo.

Geo Energética

A Geo Energética é uma empresa brasileira que desenvolveu uma fonte de energia inovadora e sustentável. É um biogás obtido a partir de um processo biotecnológico, com reaproveitamento de resíduos da produção de açúcar e álcool.

Criada após 10 anos de pesquisa, a produção escala industrial pode servir como uma fonte de energia elétrica renovável ou mesmo para produzir biometano, uma alternativa ao óleo diesel, usado em caminhões, ônibus etc.

A proposta social da Geo Energética é que sua tecnologia limpa é vendida no mercado e está integrada à rede do Operador Nacional do Sistema (ONS).

TOMS Shoes

Depois de presenciar crianças pobres crescendo sem ter sequer um par de sapatos para calçar, em uma viagem pela Argentina em 2006, o americano Blake Mycoskie teve a ideia de criar a TOMS Shoes, com uma proposta completamente inovadora: a cada par de calçados vendido pela empresa, um novo par seria doado para crianças de baixa renda.

Os calçados modernos, com design arrojado, são sucesso de venda e, até hoje, mais de 60 milhões de pares já foram doados. Um exemplo e tanto de empresa que é um grande sucesso comercial e tem uma enorme contribuição para comunidades vulneráveis.

Rede Asta

Essa é uma rede brasileira que comercializa apenas produtos feitos por pessoas que vivem em regiões de baixa renda. A empresa completou 10 anos, em 2015. Um dos destaques a atuação é a capacitação de mulheres artesãs e a formação das redes de produções.

Vários produtos da empresa – como bolsas, acessórios e itens de decoração – usam resíduos como matéria-prima, segundo o conceito de upcycling. A rede Asta ainda presta o serviço de treinamento de grupos produtivos para outras empresas.

Preocupação social ou Marketing?

Muitas das empresas do “setor dois e meio” sobrevivem justamente por conta de seu apelo social. Assim, conseguem mobilizar um público consumidor diferente, que tem grande preocupação com as práticas socioambientais das marcas que consomem.

Mas é preciso fazer uma distinção muito clara entre as empresas que apenas bolam ações e campanhas de apelo social como parte de sua estratégia de marketing e aquelas cuja essência é a preocupação com o bem-estar da sociedade na qual estão inseridas. Para que o seu negócio seja considerado uma empresa social, o foco precisa estar aí.

Uma opção para quem quer ajudar a resolver problemas sociais é fundar uma ONG e tentar atrair doadores. É possível buscar o reconhecimento de órgãos públicos do município, estado ou federação, tornando a instituição uma Oscip.

A ContaAzul acredita que  todo dono de negócios merece ter sucesso no que se propõe. Quando parte do empreendedorismo social, o sucesso tem impacto no bem-estar de mais pessoas. E você? Lembra de mais exemplos de negócios sociais?

 

Vínícius Roveda, CEO da ContaAzul

Este post foi originalmente publicado no Blog da ContaAzul, onde você pode acompanhar mais artigos que inspiram e ajudam o crescimento de empreendedores.