Desafio da F2, agora, é no Circuito da Catalunha, em Barcelona

Desafio da F2, agora, é no Circuito da Catalunha, em Barcelona

A principal escola de formação de pilotos para a F1, a F2, disputa no fim de semana a terceira etapa do campeonato, o GP da Espanha, junto da F1, como nas 12 provas do calendário. Até agora a F2 já esteve no Barein e no Azerbaijão.

O líder da temporada é o francês Nicholas Latifi, 24 anos, o seu quarto na categoria, sempre na mesma equipe francesa DAMS. Latifi é também piloto de testes da Williams e seu pai, Michael, um empresário canadense muito bem sucedido, a ponto de no ano passado se tornar sócio da McLaren, com um investimento de 220 milhões de euros (R$ 1 bilhão).

Nicholas Latifi é o companheiro de equipe de Sérgio Sette Câmara, mineiro de 20 anos, patrocinado pela Youse, quinto na classificação.

Na etapa de abertura da F2, no Circuito de Sakhir, no Barein, dia 30 de março, Latifi venceu a corrida do sábado e ficou em terceiro na do domingo. Sérgio recebeu a bandeirada em terceiro, no sábado, e em segundo, domingo. O italiano Luca Ghiotto, da UNI-Virtuosi, foi segundo no sábado e primeiro no domingo.

GP de Melbourne de F1 (3)

No evento de Baku, no Azerbaijão, dia 27 de abril, o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos, celebrou a vitória no sábado com o holandês Nyck de Vries, da ART, em segundo, e o inglês Jordan King, da Motorsport, em terceiro. 

Latifi terminou em quarto, enquanto Sérgio recebeu um toque na traseira de Ghiotto, lançando-o no muro, em pleno regime de safety car. Os comissários puniram Ghiotto e ele caiu de sexto para nono.

Na corrida do domingo, Latifi venceu e assumiu a liderança do campeonato, com 62 pontos. O americano/equatoriano Juan Manuel Correa, da Sauber Júnior, ficou em segundo, com Aitken em terceiro. Mesmo largando lá atrás, 14º, Sérgio foi ainda sexto. 

Sérgio: “Não há como não estar otimista!”

Com o ótimo fim de semana em Baku, primeiro e terceiro, Aitken é o vice-líder da F2, com 43 pontos, seguido por Ghiotto, terceiro, com 39, de Vries, quarto, 38, e Sérgio, quinto, 33.

A terceira etapa agora, no Circuito da Catalunha, marca a primeira das oito que formam a fase europeia do calendário. Em março, a F2 realizou três dias de testes na pista próxima a Barcelona e tanto Latifi quanto Sérgio estiveram sempre dentre os mais rápidos, o que sugere que deverão, de novo, dispor de um carro capaz de levá-los ao pódio, com tem sido desde o começo da temporada.

GP de Melbourne de F1

De sua residência não distante da pista espanhola, Sérgio deu o depoimento abaixo para a Youse:

Oi pessoal.
Como é bom escrever de casa. Como é bom deixar o autódromo depois dos treinos, das longas reuniões necessárias com os engenheiros, entrar no nosso próprio carro e regressar para casa. Assim será o meu próximo fim de semana. 

Claro que isso é apenas um conforto a mais. No mundo profissional do automobilismo, não é o fato de você dormir na sua cama ou na de um hotel que te fará vencer ou não. Garanto para vocês, amigos, que ganhar alguns milésimos de segundo no tempo de volta e receber a bandeirada nas corridas na frente de todos são desafios infinitamente maiores que o de ficar longe de casa.

Como escrevi da última vez, deixe Baku um tanto frustrado por ter sido colocado para fora da primeira prova no sábado, comprometendo o meu fim de semana inteiro. Mas lembro de também ter comentado que não poderia me deixar afetar com o resultado muito abaixo do esperado e, principalmente, possível.

No domingo larguei em 14º e cheguei em sexto, tendo feito a melhor volta da corrida, o que atesta o que acabei de falar, ou seja, poderia ter saído do Azerbaijão com muito mais pontos dos apenas 6 que somei e, dessa forma, estaria bem mais perto do meu companheiro no campeonato. 

Mas temos ainda pela frente dez etapas, 20 corridas, muita água vai passar debaixo da ponte até o GP de encerramento, dias 30 de novembro e 1º de dezembro em Abu Dhabi. 

Sobre o que espero do fim de semana, agora, diria que tenho elementos para estar confiante em reduzir a vantagem de 29 pontos do Nicholas (Latifi). Isso porque no dia 5 de março, primeiro dia de testes da F2 no Circuito da Catalunha, o meu engenheiro, Damien Augier, e eu decidimos simular uma sessão de classificação, como a maioria dos pilotos faria.

E o resultado foi que registrei o melhor tempo para aquelas condições, pneus novos e pouca gasolina no tanque. É verdade que estava meio friozinho, com o asfalto aí na faixa dos 28 graus, enquanto agora esperamos temperaturas mais elevadas, o que muda tudo no acerto do carro e no melhor aproveitamento dos pneus.

Mas minha equipe é das mais capazes, confio que eu e o Nicholas seguiremos acelerando um dos melhores carros do grid. Vou me surpreender se não for assim. Obviamente é possível, já que todos os times têm muitas referências desse traçado de 4.655 metros, com duas partes bem distintas, uma rápida, a final, com uma reta de mais de um quilômetro, e outra, o restante da pista, sinuosa. Não é fácil encontrar um acerto do carro que te permita ser rápido nas duas seções bem distintas da pista.

O que eu preciso fazer, primeiro, é concentrar meus esforços para, como em Baku, disputar uma boa sessão de classificação, na sexta-feira, para o grid da corrida do sábado. Na F2, estar dentre os primeiros é muito importante, em especial na primeira prova. Você soma muitos pontos e se posiciona bem para largar em uma boa posição, no domingo, e de novo levar para casa elevado número de pontos.

No caso do Circuito da Catalunha, há o agravante de as ultrapassagens serem bem mais difíceis que nas ruas de Baku, daí a importância de obter uma boa colocação na definição do grid de sexta-feira. 

Vamos lá, nosso próximo encontro é exatamente na sexta-feira, depois da disputa da classificação. Volto aqui para contar tudo a vocês. Vou seguir a receita do domingo em Baku, deixar no passado a frustração por ter somado lá muito menos pontos do que poderia. 

Como li uma vez e cada vez mais percebo proceder: no automobilismo, o desafio emocional é tão grande quanto o técnico. Abraços.