Sérgio Sette termina em 4º nesta sexta-feira em Mônaco

Sérgio Sette termina em 4º nesta sexta-feira em Mônaco

Mônaco – O quarto lugar de Sérgio Sette Câmara na primeira corrida do GP de Mônaco de F2, nesta sexta-feira, o deixou com um gosto amargo na boca. O piloto da equipe DAMS, patrocinado pela Youse, assumiu o terceiro lugar na largada, depois de ser o quinto no grid, e manteve-se dentre os que chegam ao pódio até a 36ª volta de um total de 41.

Na volta anterior, o japonês Nobuharo Matsushita, da Carlin, era o quarto colocado, bem próximo de Sérgio, quando entrou para fazer o pit stop obrigatório. A diferença entre eles, na 34ª volta, era de 953 milésimos na linha de chegada. O engenheiro de Sérgio, Damien Augier, reagiu e o chamou para o pit stop na volta seguinte à parada de Matsushita, a 36ª .

Sérgio saiu dos boxes imediatamente à frente do japonês, ainda em terceiro. Mas o piloto da Carlin tinha os pneus já aquecidos, enquanto Sérgio Sette, não. Não é permitido usar o cobertor elétrico na F2. E uma das áreas em que Sérgio trabalha para avançar na sua formação é essa, conseguir tirar o máximo de velocidade com os pneus ainda frios.

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Pouco à frente dos dois que lutavam pelo terceiro lugar estavam o líder, o holandês Nicky de Vries, da ART, e o italiano Luca Ghiotto, da Uni-Virtuosi.
Matushita sabia que tinha apenas aquela volta para tentar ultrapassar Sérgio Sette e chegar ao pódio no prestigioso GP de Mônaco, pois na seguinte os pneus do Dallara-Mecachrome de Sérgio estariam aquecidos e seu ritmo era muito bom, além de as ultrapassagens serem bem difíceis nos 3.337 metros do Circuito de Monte Carlo.

Na curva 5, Mirabeau, bem lenta, à direita, em descida, Sérgio se posicionou por dentro, para defender a posição. Matsushita foi por fora, o que o deixou em boa condição para a curva seguinte, à esquerda, ainda mais lenta e bem próxima, a Lowes, contornada em primeira marcha.

Na saída da Mirabeau o japonês da Carlin conseguiu posicionar-se pouco à frente de Sérgio para ganhar o terceiro lugar e ir ao pódio.

A primeira corrida da quarta etapa da F2 foi paralisada na 20ª volta de um total de 42. Ao tentar ultrapassar a venezuelana Tatiana Calderon, da Arden, na luta pelo nono lugar, Mick Schumacher, da Prema, filho de Michael Schumacher, tocou o pneu traseiro direito do carro da adversária na penúltima curva, a La Rascasce.

Isso a fez rodar. Mick tentou ir pelo lado esquerdo, e bateu no pneu dianteiro esquerdo de Calderon. Com os dois carros atravessados na pista, quem vinha atrás não dispunha de espaço para passar. Resultado: o diretor de prova ordenou bandeira vermelha, sua paralisação, fim de os comissários retirarem os carros para liberar a pista.

Depois de 40 minutos de paralisação, os carros alinharam atrás do safety car para a relargada. Vries em primeiro, Ghiotto, segundo, Sérgio, terceiro, Matsushita, quarto, e Artem Markelov, MP Motorsport, quinto. Nicholas Latifi, companheiro de Sérgio, e líder do campeonato, era apenas o 15º.

A bandeira vermelha autoriza às equipes substituírem os pneus de seus carros, mas não vale como pit stop obrigatório. Assim, os que não haviam ainda parado quando a corrida foi interrompida tiveram de realizar o seu pit stop. Vries o fez na 35ª volta, junto de Ghiotto e Matsushita. A DAMS chamou Sérgio na volta seguinte.

Aí aconteceu de o japonês estar em uma melhor condição para receber a bandeirada em terceiro. Vries e Ghiotto não tiveram dificuldades para manterem-se em primeiro e segundo.

Todos aproveitaram muito bem a oportunidade proporcionada por Latife. O canadense, 13º, não marcou pontos. Sua vantagem na liderança da F2 caiu consideravelmente. Depois das duas provas em Barcelona, há duas semanas, Latifi somava 93 pontos diante de 67 de Ghiotto e 63 de Vries. Sérgio era o sexto, com 34.

Como nesta sexta-feira Vries somou 25 pontos pela vitória, e já tinha 4 da pole position, atingiu 92 pontos, ou seja um somente a menos de Latifi, 93 a 92. Ghiotto também se aproximou bastante com os 18 pontos do segundo lugar, ao atingir 85 pontos.

Sérgio avançou uma posição com os 12 pontos do quarto lugar. Tem agora, 45 pontos, quinto. Uma posição na frente de Sérgio está o inglês/coreano Jack Aitken, da Campos, com os mesmos 62 pontos de antes, por não ter somado nenhum em Mônaco.

A F2 realiza neste sábado a segunda corrida do GP de Mônaco. O vencedor, Vries, vai largar em oitavo, e o oitavo colocado, o suíço Louis Deletraz, da Carlin, em primeiro. A largada será às 12h15, horário de Brasília, 17h15 no Principado. Serão 30 voltas ou 45 minutos.

Depois de receber a bandeira em quarto lugar, a 1,4 segundo de Matsushita, terceiro, e a 5,4 segundos do vencedor, Vries, Sérgio deu o depoimento abaixo exclusivo para Youse:

Sérgio Sette sobre Mônaco: “O pódio escapou no último instante”

Olá amigos.

Hoje era dia para eu celebrar o meu primeiro pódio nessa pista que adoro correr. Mas ao sair dos boxes, depois do meu pit stop, Matsushita estava voando com os pneus supermacios aquecidos colocados na volta anterior. Sabia que se completasse aquela volta na sua frente eu praticamente me garantiria em terceiro

Mas na curva 5 ele colocou por fora e eu não tinha muito o que fazer. Chegamos muito perto de um acidente, o que possivelmente nos aniquilaria da prova. Como precisava desses pontos, arrisquei até onde era possível sem me envolver em acidentes. A consequência foi perder o terceiro lugar.

No túnel, cheguei a me aproximar bastante do Matsushita, a fim de ultrapassá-lo na freada da chicane, na mesma volta que ele me passou. Mas ele estava rápido. Toquei com violência na zebra, lançando a minha traseira na direção daquelas zebras maiores. Com o impacto, o volante do meu carro ficou torto. Naquele momento entendi não haver como recuperar o pódio.

Amanhã vou largar em quarto, segunda fila, terei outra chance de lutar pelo pódio e somar os 20 pontos por etapa da F2 para estar entre os três primeiros no final. Nesta sexta-feira obtive 12. Como o Nicholas (Latife) e o Jack Aitken não pontuaram, eu me aproximei deles.

Terei um desafio pela frente. Vou largar com o mesmo jogo de pneus que coloquei para a relargada da corrida. Vários pilotos tinham feito o pit stop e estavam cerca de 18 segundos atrás de nós, os primeiros colocados. Com a paralisação, eles não precisavam mais parar, como manda o regulamento.

Eu, o Ghiotto e o Vries, os três primeiros, por exemplo, não havíamos feito a parada obrigatória. Para abrir os 18 segundos dos que estavam atrás de nós para que pudéssemos fazer o pit stop e voltar na frente deles, precisamos recorrer ao jogo de pneus macios novos que tínhamos para a corrida deste sábado.

Vou largar amanhã com esse jogo de pneus, já com 15 voltas, as que completei da relargada, na 21ª volta, até o meu pit stop, na 36ª. Mas é a mesma situação para o Vries, Ghiotto e Matsushita.

Vamos lá. O fim de semana não começou como poderia, mas não está sendo ruim também, pois marquei importantes 12 pontos e tenho chances de outro bom resultado neste sábado, largando em quarto. Voltamos a nos falar amanhã, depois da segunda corrida do GP de Mônaco. Abraços.

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