Ousadia materna: mães se reinventam diariamente

Postado novembro 27, 2017

Engana-se quem pensa que vida de mãe é sempre a mesma coisa. Vai muito – MUITO – além de fraldas, pomadas e cólicas. Na verdade, eu diria que todo dia é uma novidade – várias novidades por dia. Precisamos nos reinventar diariamente e eu chamo isso de ousadia materna.

Pensa comigo: gerar uma vida dentro de si, alimentar uma pessoa com o produto do seu próprio corpo, ser completamente responsável por alguém. Pura ousadia materna!

Aprendemos a fazer mil coisas com uma mão só (porque na outra estamos segurando o bebê). Sobrevivemos com poucas horas de sono e noites interrompidas por alguns anos. Descobrimos que refeições frias, requentadas ou sobras também alimentam.

Mães não apenas descobrem, mas inventam um mundo novo! Isso é ousadia materna.

Porque dar conta de si, do filho, do marido, da casa e do trabalho é algo totalmente ousado. Para não dizer insano. Vocês vão concordar comigo, tenho certeza! Já disse que só consigo dar conta com muita ajuda.

Mesmo quando não temos muita intimidade com a cozinha (meu caso!), lá vamos nós preparar as comidinhas para a introdução alimentar. Tem muita mãe que se descobre cozinheira e encontra uma nova paixão.

Tem as vezes em que precisamos nos “voluntariar” para confeccionar o mascote da gincana do colégio. Sendo que até a cola que temos em casa já está seca por falta de uso. Lá vamos nós à papelaria mais próxima, tratar de comprar matéria prima para produzir a obra de arte.

E quando a escola pede que a gente prepare uma oficina para os coleguinhas da sala, a gente inventa algo para ensinar para as crianças. Na maioria das vezes, a gente sai correndo para procurar no Google. Vira a noite aprendendo e fazendo testes para dar a tal oficina na manhã seguinte.

Tem ainda aquelas vezes em que a gente incentiva que o filho escreva uma cartinha para o Papai Noel, pensando estar dando uma oportunidade para que ele desenvolva seu lado lúdico e de fantasia. E aí a criança escreve a tal carta e pede uma espada que tem um botão que se aperta e crescem mais duas espadas.

Sim, pelo detalhe das informações vocês podem perceber que isso é um caso real – aconteceu recentemente com a gente. Perguntado sobre onde o pequeno viu a tal espada que cresce para os lados, na esperança de ter uma dica de onde procurar o tal brinquedo, o filho responde que não viu em lugar nenhum. Ele a inventou.

Consequência da tal ousadia materna!

A mãe não queria um filho criativo? Agora vai ter que rebolar e literalmente inventar o presente que o filho pediu para o Papai Noel.

Ousadia de mãe gera ousadia de filho.

Como mãe quer participar de todos os momentos da vida do filho, não pode negar quando ele pede para brincar de bola ou de lutinha. Mesmo que seja completamente descoordenada nos esportes e corra o risco de quebrar alguma janela de casa. Mesmo que acabe toda roxa e doída depois da brincadeira. A gente se experimenta, a gente se reinventa.

Foi-se o tempo em que ser ousada significava colocar um decote maior e um salto ainda mais alto que o de costume. Ousadia materna é mais voltada para a maternidade real. Algo como subir as escadas do prédio com um filho no colo, bebê conforto – com um bebê dormindo dentro – no outro braço, mochilas e bolsa penduradas no pescoço. A gente arranja força sabe-se lá de onde!

Ousadia materna é plantar uma semente e só conseguir ver o fruto anos depois. Quando não há mais tempo para consertar os erros. Nesse meio tempo, a gente reza para que esteja fazendo a coisa certa.

Ousadia materna é errar tentando acertar e acertar mesmo quando tiver errado. Porque quando se faz algo com amor, o resultado nunca vai ser um erro.

Talita Rodrigues Nunes, 36 anos, casada com meu príncipe Charlles, mãe do Vinicius, de 4 anos. Depois que me tornei mãe, ouvi muitas pessoas dizendo que filho é como videogame: a próxima fase é sempre mais difícil. Não concordo. Conforme escrevo no meu meu blog (somelhora.com.br), eu acho que “só melhora”!