Quem são os pilotos da F2 que vão estrear na F1 em 2019?

Quem são os pilotos da F2 que vão estrear na F1 em 2019?

A melhor notícia para os jovens pilotos que vão largar no dia 30 de março na corrida de abertura do campeonato da F2 de 2019, em Barein, é a contratação, este ano, dos três primeiros colocados na temporada para estrear na F1. Sim, eles vão estar no grid do GP da Austrália de 2019, dia 17 de março. Nunca é demais lembrar que é para isso que iniciaram a carreira, ainda crianças, no kart.

Sérgio Sette Câmara, mineiro de 20 anos, patrocinado pela Youse, por exemplo, gostou do que viu. Ele correu pela Carlin, este ano, e disputará o campeonato da F2 de 2019 pela equipe DAMS, francesa.

“Pode até ser que em 2020, quando espero eu também estrear na F1, não abram vagas, mas haverá muita gente nova no grid, no ano que vem, é provável que em 2020 haja outra mexida. E o pessoal da F1 viu que a F2 é a melhor escola existente para nos formar, voltou a ser o celeiro da F1. Como todo mundo sabe, três pilotos subiram este ano.”


Sérgio Sette Câmara na corrida de F2 da Hungria

George Russell, inglês de Norforlk, 20 anos, o campeão da F2, será piloto da Williams. Lando Norris, inglês de Bristol, 19 anos, segundo colocado, correrá pela McLaren. E Alexander Albon, nascido em Londres, mas de nacionalidade tailandesa, 22 anos, terceiro, assinou com a Toro Rosso.

O maior desestímulo que as novas gerações que iniciam suas trajetórias no kart e depois passam a competir com automóveis monopostos, F4, F Renault 2.0, F3 e F2 é ver os pilotos mais bem sucedidos nesses campeonatos não serem aproveitados pela F1. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2013, com o suíço Fabio Leimer, e em 2012, o italiano David Valsecchi. Fizeram a sua parte, foram campeões da GP2, antigo nome da F2, mas por uma combinação de razões não realizaram o sonho de disputar o mundial de F1.

O grid da F1 é pequeno. São apenas 20 vagas, e quando abre uma a maioria das equipes exige investimento mínimo de 15 milhões de euros (R$ 67 milhões) para os pilotos assinarem por um ano. É muito dinheiro. Bem poucos dispõem de patrocinadores com esse lastro e interesse em fazer um investimento tão grande.

E para competir por um time mais estruturado, em que o piloto não tem a obrigação de levar patrocinadores, esse piloto deve provar que merece esse “privilégio”. Como ele faz isso? Demonstrando seu talento nos primeiros anos de F1, na maior parte das vezes em escuderias pequenas, exatamente as que precisam do investimento para sobreviver. É um ciclo.

Há o caso dos pilotos pertencentes às academias de escuderias. Elas os bancam com o objetivo de, mais lá na frente, os terem em seus quadros. Participam da seleção da F1, portanto, em grande vantagem.

Um a um, suas histórias

Russell ganhou tudo o que era possível no kart britânico, até estrear na F4 no seu país, em 2014, com 16 anos, e ser campeão. Em 2015 e 2016 disputou a concorrida F3 europeia por duas equipes não posicionadas dentre as mais eficientes na época, Carlin e Hitech. Terminou em 6º e 3º. No ano seguinte, 2017, passou para GP3 e já na primeira temporada, com a ART, conquistou o título, com 7 vitórias, 11 pódios e 4 poles.

O diretor esportivo da Mercedes e sócio na escuderia de F1, Toto Wolff, viu muitas propriedades não comuns em Russell: velocidade, constância, determinação, coragem, dentre outras, e o contratou para a Academia Mercedes. Este ano, Wolff bancou todas as despesas de Russell, como o 1,6 milhão de euros (R$ 7 milhões) pagos a ART, além do preparador físico, fisioterapeuta, psicólogo.

Mais: a Mercedes o levou para a Williams na F1. Como? A Williams compete com a unidade motriz alemã. Em vez de pagar 15 milhões de euros (R$ 67 milhões) pelo seu uso, pagará para a Mercedes 10 milhões (R$ 45 milhões). A diferença corresponde ao investimento da Mercedes para ver o que Russell poderá fazer na F1.

Como Lewis Hamilton já tem 33 anos e seu novo contrato é de dois anos, 2019 e 2020, de repente Russell, ratificando na F1 os predicados evidenciados até agora, se torna sério candidato a ficar com sua vaga na Mercedes. O mesmo já aconteceu com o francês Esteban Ocon, 22 anos.

Campeão na GP3 em 2015, pela ART, a Mercedes o levou direto para a F1. Primeiro na Manor, em 2016, e nos dois últimos anos, Force India. Mas como Lawrence Stroll comprou o time, este ano, em agosto, levou o seu filho, Lance Stroll, para lá, no lugar de Ocon, pois o outro piloto da Force India, Sérgio Perez, foi decisivo para a compra dar certo. Além disso, seu patrocinador mexicano, Telmex, investe 15 milhões de euros na escuderia. Lance correu em 2018 e 2017 pela Williams.

Ocon será piloto de testes da Mercedes, em 2019. Se o companheiro de Hamilton, o finlandês Valtteri Bottas, não disputar um campeonato melhor que o deste ano, sem vitórias, enquanto Hamilton ganhou 11 GPs, Ocon deverá substituí-lo no ano que vem. Ou mesmo se Russell realizar um trabalho excepcional na Williams, até mesmo ele pode ficar com a vaga de Bottas.

O vice na F2 este ano, como mencionado, foi Norris. Ele nasceu em berço esplêndido. Vem de uma das famílias mais ricas da Inglaterra. E tem muito talento. No kart, venceu não apenas na Grã-Bretanha. Tornou-se campeão do mundo, o mais jovem da história, 13 anos. Em 2015 estreou na F4 Britânica, pela equipe Carlin, com 16 anos, e de cara foi campeão.

Em 2016, conquistou o título europeu e do norte da Europa de F Renault 2.0, no time de Josef Kaufmann, além de ganhar a Toyota Series na Nova Zelândia. Sua enxurrada de títulos não parou no ano seguinte, campeão da conceituada F3 europeia, pela Carlin, com 9 vitórias, aos 17 anos. E incrivelmente, este ano, lutou pelo título da F2 até as últimas etapas. Acabou vice. Sua temporada na F2, de 1,5 milhão de euros, foi bancada pela McLaren, como fez a Mercedes com Russell.

 

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O seu empresário é ninguém menos de o norte-americano Zak Brown, diretor executivo do Grupo McLaren, não apenas da equipe de F1. Brown dispensou o belga Stoffel Vandoorne, com performance aquém do esperado, e levou Norris para lá. O inglês já participa como titular da McLaren dos testes de pré-temporada, com os modelos de 2019, de 18 a 21 de fevereiro, no Circuito da Catalunha, em Barcelona.

O terceiro colocado na F2 foi Albon. Seu currículo não se compara ao de Russell e Norris, a não ser no kart. Venceu o prestigiado campeonato europeu, em 2010. Em 2012, entrou para o programa de formação de pilotos da Red Bull. No automobilismo, nas competições com carros, a partir de 2012, só esteve entre os protagonistas da F Renault 2.0 no terceiro ano na categoria, em 2014, terceiro colocado, pela KTR.

Na F3 europeia, em 2015, pela Signature, ficou em sétimo, e na GP3, em 2017, pela ART, como companheiro de Russell, este campeão, Albon foi vice. Este ano, na F2, já fora do programa da Red Bull, o tailandês competiu com o time de Sérgio em 2019, a DAMS, e lutou pelo título até a etapa de encerramento do campeonato, dia 25 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Ficou em terceiro.

Apesar de não mais fazer parte do programa da Red Bull, o homem que o comanda, o austríaco Helmut Marko, de 74 anos, chamou Albon de volta. Mas o tailandês teve de levar um patrocinador. Vai disputar o campeonato da F1 pela segunda equipe da Red Bull, a Toro Rosso.

Mick, filho de Schumacher, estreia

Em relação ao campeonato da F2 de 2019, há ainda muitas equipes sem definição de pilotos, como é normal. Mas dentre os que já acertaram seus contratos, há pelo menos quatro nomes que emergem para lutar pelas primeiras colocações: Sérgio, depois de oito pódios e uma pole, este ano, o holandês Nyck De Vries, 23 anos, e o russo Nikita Mazepin, 19 anos, ambos pela campeã ART, francesa.

E há ainda o alemão Mick Schumacher, 19 anos, filho do sete vezes campeão do mundo Michael Schumacher. Mick venceu o europeu de F3, este ano, e com a mesma Prema, italiana, vai estrear na F2. Todos irão para a pista, agora, em fevereiro, nos testes da pré-temporada da F2, em Paul Ricard, no sul da França.