Quanto ganham os pilotos de Fórmula 1?

Quanto ganham os pilotos de Fórmula 1?

Você já deve ter ouvido muitas vezes esta frase:

“A F1 é um esporte milionário.”

E procede. Equipes como Mercedes, Ferrari e Red Bull têm um orçamento de 300 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) por temporada. Fora o que pagam a seus pilotos. A Formula One Management (FOM) tem uma receita de pouco mais de 1 bilhão de euros (R$ 5 bilhões) por ano, proveniente da venda dos direitos de TV, do cobrado dos promotores de cada etapa do GP, e associação do nome da empresa ao da F1.

Mas o assunto agora é quanto ganham os pilotos. Obviamente bem pouca gente teve acesso aos contratos de pilotos como Lewis Hamilton, da Mercedes, e Sebastian Vettel, Ferrari, dois profissionais quatro vezes campeões do mundo e lutando pelo quinto título este ano.

Mesmo não tendo a prova na mão, muitos no paddock sabem quanto os pilotos ganham. De repente, o diretor esportivo do time comenta com o amigo com quem já trabalhou em outra escuderia e em pouco tempo todos estão sabendo o valor do pago aos pilotos.

Assim como há categorias de carros no automobilismo, F1, F2, F3, existe algo semelhante na escala de valores dos contratos dos pilotos. Na F1 dos mais bem pagos estão três. Os dados são o resultado do exposto há pouco, conversas entre profissionais do meio. Muito provavelmente os valores procedem.

Quem mais ganha dinheiro como piloto na F1 é Lewis Hamilton, em uma temporada espetacular, com boas chances de conquistar, como mencionado, seu quinto mundial, o que seria o quarto em cinco anos. A única exceção seria 2016, quando seu companheiro de Mercedes, o alemão Nico Rosberg, celebrou a conquista.


Fernando Alonso

Hamilton renovou em julho o contrato que venceria em dezembro com a Mercedes. Ainda ganha 36 milhões de euros (R$ 180 milhões) por ano. Não fica só nisso. Em agosto, ao estabelecer a pole position no GP da Bélgica, a sexta dele no campeonato, e não esperada, pois acredita que ficaria com Vettel, Hamilton comentou:

“Não esperava que fosse entrar outros 100 mil euros na minha conta.”

A cada pole a Mercedes lhe paga 100 mil euros. Até o GP da Rússia ele tinha sete poles este ano. E a cada vitória, quanto entra na sua conta? Bem, Hamilton reside em Mônaco e não tem nada recolhido na fonte nos seus pagamentos. E tampouco no Principado. Em outras palavras o dinheiro entra limpo na conta.

Falávamos das vitórias. Não se sabe ao certo, mas a faixa é conhecida: entre 300 e 400 mil euros por vitória. Só nesta temporada já foram oito.

Fez as contas? É muito dinheiro, não? Fora os contratos de patrocínio pessoal que assinou, como por exemplo com a Bose, empresa de equipamentos sonoros, Monster Energy, energético, Epson, copiadoras, Puma, artigos esportivos.

A assinatura do novo contrato de Hamilton com a Mercedes demorou porque ele pedia 50 milhões de libras (R$ 280 milhões) por ano. Depois de muita negociação, saiu por 40 milhões de libras, ou 45 milhões de euros (R$ 225 milhões) por temporada, mais prêmios, claro, e uma promessa de “não encheção de saco com sua vida pessoal, amante do jet set internacional.

Parece combinado

Vettel luta pelo título com Hamilton e, curiosamente, a Ferrari lhe paga o mesmo, 36 milhões de euros por ano, com prêmios provavelmente parecidos. O espanhol Fernando Alonso, da McLaren, campeão do mundo de 2005 e 2006, com Renault, está na mesma categoria, 36 milhões de euros por ano. É importante destacar que não há nada que obrigue as escuderias pagaram esse valor a seus pilotos, é o mercado quem estabelece os valores. Apenas coincidentemente Hamilton, Vettel e Alonso estão no mesmo nível. Não por acaso são considerados os mais talentosos e eficientes em atividade, hoje, na F1.


Sebastian Vettel, piloto da Ferrari

Abaixo dos três, quem tem o contrato de valor mais elevado é Max Verstappen, da Red Bull. Em outubro do ano passado, a Mercedes lhe fez uma oferta. Quando acabasse o seu contrato com a Red Bull, no fim de 2019, a equipe alemã o queria. Hamilton tem 33 anos, não tem mais tantos anos pela frente, enquanto o talentoso Max completou, domingo, dia 30 de setembro, apenas 21 anos.

A Red Bull reagiu. Christian Horner e Helmut Marko, seus líderes, elevaram o valor pago a ele, dobraram, de 12 milhões de euros para 24 milhões (R$ 120 milhões), mais prêmios, e o jovem holandês renovou com a Red Bull até o fim de 2020, exatamente quando terminam os contratos de Hamilton com a Mercedes e Vettel, Ferrari.

Outro nível

E os companheiros de Hamilton, o finlandês Valtteri Bottas, e de Vettel, o também finlandês Kimi Raikkonen, quanto ganham? Bottas deixou a Williams, depois de quatro anos, e assinou com a Mercedes, no fim de 2016, para ocupar a vaga de Nico Rosberg, por 6 milhões de euros (R$ 30 milhões) por ano, mais prêmios.

O caso de Raikkonen é um tanto particular, pelo menos tratando-se de Ferrari. O diretor da equipe, Maurizio Arrivabene, nunca esconde nas entrevistas que Raikkonen precisa estar bem estimulado para dar o seu máximo. Por essa razão, lhe deu um contrato por pontos a partir do ano passado. Ele tem um valor básico fixo, baixo, estimado em 2 milhões de euros (R$ 10 milhões), e recebe 50 mil euros (R$ 250 mil) por ponto conquistado. Até o GP da Rússia, Raikkonen tinha 186 pontos, portanto faturamento de 9 milhões e 300 mil euros (R$ 47 milhões), mais os 2 milhões básicos. Não se sabe se a Ferrari lhe há prêmio por conquista ou apenas o garantido por pontos.


Max Verstappen e Daniel Ricciardo

O companheiro de Max, o competente australiano Daniel Ricciardo, quanto ganha? Estava na faixa dos 12 milhões de euros (R$ 60 milhões) de Max, antes de a Red Bull lhe dar outro contrato. E assinou, no mês passado, com a Renault, por dois anos, para ganhar 18 milhões de euros (R$ 90 milhões) por temporada. O seu companheiro em 2019 na Renault, o alemão Nico Hulkenberg, tem contrato até o fim de 2019 e ganha 6 milhões de euros (R$ 30 milhões) por ano.

A partir daí, todos os contratos contemplam valores bem mais baixos, colocam os pilotos em outra categoria. Por exemplo a dupla da Haas, o dinamarquês Kevin Magnussen e o francês Romain Grosjean, acabaram de ganhar mais um ano de contrato, ao valor estimado de 1,5 milhão de euros (R$ 7,5 milhões) cada, mais prêmios, como chegar no Q3, a última parte do treino classificatório, e receber a bandeirada entre os dez primeiros, os que marcam pontos. Mas os valores desses prêmios não têm nada a ver com os pagos pela Mercedes a Hamilton e a Ferrari a Vettel.

Os pilotos da Racing Point Force India, o francês Esteban Ocon e o mexicano Sérgio Perez, estão na mesma faixa dos pilotos da Haas.

Pilotos pagantes

Que história é essa de piloto pagar para correr?

É simples entender. Mercedes, Ferrari, Red Bull, Toro Rosso, Renault, McLaren e Haas não dependem de patrocinadores para sobreviver, disputar o campeonato. Já as demais, sem eles não estariam no grid, não têm fonte de receita que lhes garantam o mínimo necessário para competir em bom nível na F1. Assim, quem correr pela Racing Point Force India, Sauber e Williams deve levar patrocinadores, alguém capaz de investir, em média, 15 milhões de euros por ano.

Nesse valor está incluído o quanto será repassado ao piloto como salário. Pode não ser um investimento em espécie, mas em equipamento. A Ferrari, por exemplo, fornece para a Sauber a sua unidade motriz, câmbio e todo o conjunto traseiro, incluindo suspensões. Deveria pagar algo como 30 milhões de euros (R$ 150 milhões) por ano.

Mas como expõe a marca Alfa Romeo, do mesmo grupo da Ferrari, na tomada de ar da unidade motriz, e tem um piloto escolhido pela Ferrari, Charles Leclerc, os 30 milhões de euros são compensados por essas ações de interesse dos italianos. O salário de 1 milhão de euros (R$ 5 milhões) pagos a Leclerc vem da Ferrari.

Deu para ter uma ideia do quanto ganham os pilotos na F1? Há várias categorias e tipos de acordos, mas ninguém vê cair na conta menos de 1 milhão por temporada.